06 julho 2006

Fazer das tripas músculo cardíaco

Maria é nome de mulher. Fonte de vida, protectora da crença, defensora da fé.
Maria mantém-se até aos nossos dias no imaginário humano como o símbolo primeiro da bondade. Ela representa a pureza original, a entrega apaixonada, a maternidade enlevada, o sofrimento filial.
Maria será, podemos dizer, a mulher original. O sagrado feminino de que tanto ouvimos falar, encarnado no corpo e na alma de uma mãe que abraçou o seu destino divino e que nos deixa, através dos tempos, os ecos de uma inspiração exemplar.
Persiste, em todas nós, algo de Maria. Na força que nos anima a ir mais além a cada dia que passa, na coragem de amar o outro mais do que a nós mesmas, nos nossos sorrisos de mães, de esposas, de trabalhadoras, de cidadãs. Maria permanece em nós, mulheres, como a melhor e mais fiel das companheiras; aquela que nos mostra, através dos relatos da sua vida, como pode a crença na moral e na bondade ajudar a construir um mundo melhor. A imagem de Maria, que hoje honramos, deve ser a luz que nos guia, nas nossas vidas, nas nossas casas, nos nossos empregos, nas nossas famílias; deve ser a luz que nos mostra o caminho da alegria, da entreajuda, do esforço diário pela melhor acção possível.
Maria... é nome de mulher. Nome de Amor.

Há anos que me cravam (ou pedem) os mais variados textos. Letras de música, descrições para anúncios, cartas para pessoas que não conheço, sempre na lógica do "anda lá, põe aí qualquer coisa no papel, daquela maneira que tu fazes". E prontos. É tipo video-on-demand, percebem? É a tábua-rasa mais linda dos conceitos de criação, génio e inspiração.

Mas eu acho piada e, na maior parte das vezes, até escrevo. Tirando as cartas que, essas, só as minhas porque tem que ser com muito amor. Desta vez foi uma amiga que me pediu um texto para a mãe ler na igreja (católica) no passado Sábado, por altura duma celebração de Maria. Ora, eu sou uma ateia empedernida. É tipo ser heterossexual, o resto não funciona cá comigo, é a ausência do divino e ponto.

Entende-se, pois, que este tenha sido o texto mais suado dos últimos anos. Custou horrores escrevê-lo (quase uma hora e meia) e foi pensado ao milímetro para não me sentir hipócrita. Aqui fica, para mais tarde recordar. :-)


9 Somethin' Else:

Blogger Nuno Guronsan escreveu...

E que bem que te saiu... Vou pôr a minha progenitora (que também se chama Maria) a ler isto... E sim, o meu pai chama-se José, apesar de eu não ter muito perfil para JC, como pudeste constatar ;))

julho 06, 2006 9:58 da tarde  
Blogger SK escreveu...

Conseguiste mais do que eu alguma vez seria capaz... Era daqueles textos onde cedo ou tarde a coisa iria descambar:)

Congrats!

julho 06, 2006 11:53 da tarde  
Blogger APC escreveu...

Bravo! Foi o mais à frente que poderia ir, sem entrar em marcha atrás. Nota 20, Maria! :-)

julho 07, 2006 12:13 da manhã  
Blogger A escreveu...

Faz um para mim!
Faz um para mim!

:) eu mereço. Sou ateia e tudo.

Beijos

A de Ana

julho 07, 2006 12:19 da manhã  
Blogger a miúda escreveu...

Não deve ter sido fácil, não! Mas foi muito bem conseguido mais uma vez!
:)

julho 07, 2006 11:31 da manhã  
Anonymous Anónimo escreveu...

bom texto. é melhor começares a pensar em recusar essas encomendas ou a coisa pode tornar-se não só difícil como aborrecida (acredita, fala a voz da experiência, até para mestrados em áreas esquisitas já fiz). há sempre a hipótese de comercializares mas isso é um negócio como qualquer outro. eu agora sou apologista da máxima "quem quiser que se amanhe, e se não sabe escrever soubesse". era só o que faltava!...

julho 10, 2006 2:28 da tarde  
Blogger M. escreveu...

Nuno,

Muito obrigada. :-) E, sim, este é um dos textos que se podem mostrar à ala mais sénior. Foi à custa destas que as minhas sogras sempre me acharam um amor de nora nos primeiros seis meses. Depois perceberam, lol... ;-)

E tu, de JC... :-D Desculpa, mas não. ;-) Mesmo!! :-)


Stephen,

Sabes que a consciência da repercussão do que eu produzo nos outros me dá uma responsabilidade que prezo muito cumprir.

And thanx!


APC,

Vénia! :-D Agradecida, claro.
E ainda mais respeitosa pelo empedernida. ;-)


A,

LOL!

Faço. Mas só depois de te ver os olhos. (Até porque agora nem tempo tenho para pôr o blogue em dia...) E prometo que é a M. a fazê-lo e não a outra, eheheheh...


nunf,

Pois não foi, não. :-) Obrigada.


Filipe,

Estás-me a estragar com mimos, tu... ;-) Vou ficar mal habituada e começar a pedir-te a ti para me editares as versões finais... :-D

Algumas recuso. Os fretes recuso. Aí sou como tu; já não há paciência para ingnorantes. Mas a (alguns) amigos até me orgulho de ajudar, confesso. :-S Mas estou contigo, para vender textos já chega os do emprego e os do freelancing. Se não sabe escrever, que leia. Eheheheh. Também ajuda.

julho 10, 2006 8:13 da tarde  
Blogger Xana escreveu...

Eu sei que o escreveste com muito esforço (tb ñ morro de amores pelo J.C. e pela "capelinha"), mas a progenitora cá da miuda adorou e isso é que interessa ;-)
Obrigada, M.

Bjocas

Xana

julho 10, 2006 10:59 da tarde  
Blogger M. escreveu...

Bem vinda!!!

:-D

Olha, o JC até me parece o mais interessante do catolicismo todo em peso, confesso. :-)

Custou, mas foi. :-) O que importa é que a mamã tenha gostado. Eu também aprendi a por-me nos sapatos de outros, que pensam de forma diferente da minha. Faz-me bem às vezes, sabes?

De nada e beijinhos, uma excelente semana!!

julho 11, 2006 12:14 da manhã  

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