26 abril 2006

Pontos de ordem

Factos públicos e comprováveis - para aqueles que gostam de se deixar levar na turba do urro colectivo:

1 - Não foram os adeptos do FC Porto que invadiram o campo no passado sábado antes determinar o Penafiel-FC Porto. Foram alguns elementos da claque dos Super Dragões.

2 - Um clube que jogue na liga principal do futebol profissional português deve ser capaz de assegurar as condições físicas minímas e indispensáveis à prossecução do espectáculo desportivo, com segurança e conforto para praticantes e público.

3 - O Penafiel arrecadou meio milhão de euros com o jogo de dia 22. Gastou seis mil euros a colocar uma bancada amovível. Cinquenta metros de grades nos topos não deviam, sequer, custar outros seis mil.

4 - A Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) é responsável pela verificação das condições em que se realizam jogos considerados de risco acrescido e pela consequente garantia junto dos clubes desportivos do cumprimentos das mesmas.

5 - Frase ouvida a um elemento do corpo de intervenção da GNR, às 18h00, ainda no exterior do estádio: "Somos poucos, porra, somos muito poucos."


Opiniões pessoais e intransmissíveis - para esclarecer a posição da administração do BN quanto à questão:

6 - O jogo devia ter sido anulado após a primeira invasão de campo, com o Penafiel a conquistar, na secretaria, os três pontos em jogo.

7 - A claque dos Super Dragões (à falta de equipamento de segurança que permita identificar individualmente os transgressores) devia ter sido banida do Estádio do Dragão durante os próximos seis jogos do FC Porto em casa.

8 - O FC Penafiel devia ter sido multado pela LPFP por não ter sido capaz de garantir a integridade física dos intervenientes no jogo de sábado.


Sugestões práticas e lógicas - para tentar sanar as baboseiras que se têm ouvido nos últimos quatro dias:

8 - Não sejam básicos. Viajem. Conheçam gente de outras cores. Entrem em igrejas de outros credos. Comam comida confeccionada sem sal, azeite, cebola e alho. Visitem sinagogas, óperas civilizadas e tendas berberes. Tirem as palas dos olhos e percebam que há mais mundos no mundo.

9 - Usem do conceito de perspectiva. Aka "think outside the fucking box".

Tomemos a questão da pronúncia como exemplo e partamos para alguns exercícios de principiantes:
A) Quem tem sotaque na língua portuguesa? Nã
o poderão ser os dez milhões de portugueses que não seguem a pronúncia dos 188 milhões de brasileiros?
B) Quem pronuncia correctamente a letra "v"? Os dois terços de portugueses que não vivem no Norte do país, ou os 425 milhões de hispânicos que unificam "v" e "b" nos fonemas [b] e [ß] e não têm, sequer, o som [v]?

A regra da maioria não serve?
C) Serão os falantes da língua mais próximos da sua origem aqueles que melhor a articulam? Por que regiões geográficas se manteve o latim mais impoluto e incorruptível às influências bárbaras?

Ou a regra da senioridade também não é válida?
Articulem argumentos, por favor. E cuidado, muito cuidado, com os todos que se transformam em partes com uma simples mirada para além do horizonte do aparador da sala...

10 - Em último recurso, admitam que, assim como "nós", os tripeiros, somos todos bimbos grosseiros, de pêlo no joelho, sotaque manhoso e decibeis exagerados na voz, "vocês", os alfacinhas, são todos preguiçosos encapuçados, de verniz corrupto, postura afectada e inutilidade disfarçada. Ridículo, verdade?


8 Somethin' Else:

Blogger Lisa escreveu...

Ridículo, é verdade.
O Porto é um mundo, Lisboa é um mundo, são ambos lindos e cheios de gente linda. E gente feia, também.
(estou completamente por fora do assunto do post, que bola não é comigo, mas odeio essas clivagens "nós" e "eles". Isto é tudo o mesmo país, mesmo continente, mesmo mundo, mesma galáxia, mesmo universo, caramba)

abril 26, 2006 10:01 da manhã  
Anonymous filipe leal escreveu...

ai, já ando cansado!!! ainda ontem li que foi tudo ilibado do apito dourado. tudo não, há-de haver alguma gente que vai ser culpada só pra disfarçar. quanto ao jogo de penafiel eu, como sportinguista, fiquei contente e achei que não havia forma melhor de os portistas se sagrarem campeoes. frente ao último classificado, frente a um presidente que detém 10% do capital da sad do fcp, com um penalti inexistente, uma invasão de campo, uma longa interrupção do jogo e, para mim o pior, já com a festa programada e com um speaker que, veja-se, 11 minutos antes do jogo bradava "o fcp está a poucos minutos de, merecidamente, se sagrar campeão nacional, blá,blá,blá (não terá sido isto a motivar a invasão de campo)? outro erro grave é confundir tripeiro com portista. meus filhos são coisas totalmente distintas. eu sou tripeiro, topam? sou do scp e não sou alfacinha, topam? se os tripeiros fossem portistas o rui rio não era presidente da câmara, percebem? agora que os portistas são "murcons", pelo menos a grande maioria, são. quanto às diferenças de género e de formação (nas culturais não falo) bem assim como não tenho paciência para muita coisa não vou ter paciência para os murcons!!! por muito que entenda que eles nem têm culpa, são novos e ingénuos, e nunca conheceram a democracia no seu clube. por mais apitos dourados que existam não hei-de morrer sem conhecer a verdade. escândalos como o jogo da taça terão a sua verdade revelada mais dia menos dia. só quando salazar morreu se deu a revolução e mesmo assim foi preciso uma primavera... e mais não digo P. S. (não dou autógrafos)

abril 26, 2006 10:06 da manhã  
Blogger A escreveu...

Posso entrar? :)
Boa tarde
Depois de ler o que aqui está neste post, depreendo que temos algumas opiniões em comum.
Algures no país, estaremos em campos opostos. O Algarve fica longe do Porto, o que é uma chatice, devo confessar... a cultura pulsa mais para esses lados.
Não faço parte da lista contemplada de lisboetas que atacas, de forma civilizada e humanista :) sempre preferi o estilo de vida "alfacinha", desprendido e cosmopolita ao estilo de vida "tripeiro" algo burguês e aldeão. A minha costela lisboeta assim o ditou, talvez... ou não.
Faço ainda parte da lista de portugueses que não tem muito sotaque, ou quase nenhum, dado que existe um reduto em Portugal chamado Coimbra. Mas para que interessa isso? eh... os sotaques são giros.

Concordo com o Filipe Leal. Em tudo. Bem, quase, afinal de contas ele é um lagartinho, oops... um leão! Um leão! ;)

Aproveito para falar do meu blog e da minha pessoa: não me levo a sério, salvo em raras excepções. O futebol a mim não me interessa sobremaneira. Não gosto, nunca gostei, nem hei-de gostar do FCP. E estou no meu direito. Desculpe, menina M. Eu sou assim.
Noutras circunstâncias e noutros contextos poderei falar a sério, mas é clara opção minha não querer ter um blog cinzentão, chato e cheio de argumentos.
E aquilo de metê-los no barco e afogá-los era a brincar. OK?
A BRINCAR!

Gostei do blog. Blue Notes.

Beijos algarvios

p.s.: mas adoro o Mourinho :)

abril 26, 2006 3:09 da tarde  
Blogger M. escreveu...

Lisa,

Absolutamente de acordo. As oposições preto-branco são sempre parvas e redutoras. Porto vs. Lisboa, mulheres vs. homens, brancos vs. pretos. Limitadas e ignorantes, mas muito populares e, miseravelmente, incentivadas no mundo do futebol.

As diferenças estão, lá dizem os antropólogos, mais presentes no seio dos grupos do que entre eles.


Filipe,

Não vou repetir argumentos quanto à primeira metade do teu comentário, já lhe respondi e contrapus com factos de forma suficiente.

Quanto ao "outro erro grave é confundir tripeiro com portista" era precisamente aí que queria chegar. Durante o tempo que foi do jogo em Penafiel ao dia em que escrevi este post ouvi as maiores ridicularias generalistas dos últimos 10 anos. As mais parvas das baboseiras ignorantes que a liberdade de expressão tem permitido. É contra essas que me insurjo.

As idiossincrasias fazem parte das mentalidades dos povos, mas não sejamos tão limitados que não saibamos reconhecer que reduzir o universo a um anti-Portismo (ou a um anti-Benfiquismo, vai dar no mesmo) é sinal de mera ignorância e preguiça intelectual.

PS - Boa sorte para o segundo lugar.


A,

Boa noite, bem vinda e obrigada. :-)

Não separo as pessoas pelos sítios onde vivem. Conheço alguns lisboetas que reflectem as características com as quais te dizes identificar. Conheço outros que para lá foram há 20 anos atrás, escorraçados da província e que em tudo se assemelham aos portuenses do Bairro do Aleixo e que de cosmopolita pouco têm. Conheço ainda outros que são profundamente trintões, burgueses e aborrecidos, igualinhos a todos os meus amigos aqui dos arredores do burgo.

Considerar Lisboa cosmopolita, nos últimos cinco anos, faz todo o sentido num panorama nacional que se desenvolveu de forma demasiado heterogénea. Como estou certa que tu, no Algarve, sentes tanto como eu, no Porto.

No entanto, duas ressalvas. Portugal é demasiado pequeno para justificar certo tipo de ataques. Eu não sou nem rica nem irrequieta e, no entanto, não passo duas semanas seguidas sem sair daqui para ver, ouvir, estar, assistir ao que quer que seja que me chame a atenção no resto do país. Em segundo lugar, não tenhamos a presunção de colocar Lisboa ao lado de Barça, Madrid, Paris, Londres, Nova Iorque, Estocolmo, Tóquio, Hong Kong. Com grande pena minha, aliás.

Quem estudou em Coimbra ouviu, durante pelo menos quatro anos, dizer que é lá que o Português é puro e despido de pronúncia e habituou-se a levar o paradigma à letra da lei. Acho as línguas entidades demasiado ricas e demasiado dinâmicas para o encarar como ditame absoluto. Mas é o Português que se aprende à sombra da Cabra que é aceite e propalado pelos pivots nacionais como foneticamente correcto, logo, adoptemo-lo.

Quando à questão da bola e dos blogues, passo esporadicamente pelo Psicologias da Treta desde que apareceu e, se continuo a visitar, é porque me interessa. Há, de facto, uma diferença fundamental, menina A ;-). Duas, aliás.

Eu gosto de futebol, muito. Sempre gostei. Sou portista por criação e por posterior convicção, mas, antes de tudo, sou adepta do desporto e ferrenha defensora do papel social que desempenha nas sociedades latinas e católicas, em confronto aberto com os modernos intelectuais que o desprezam como ópio das massas.

Depois levo-me extraordinariamente a sério. Mas aos outros também. O que, acredite ou não, não é sinónimo de falta de sentidos críticos ou de humor. Ambos são benesses que a vida, felizmente, nos ensina.

Ouço, desde miúda, pérolas do género "é metê-los todos na Luz e abrir a torneira", "antes morto que vermelho", ou "em cada lampião há um cabrão". A única coisa que me irritou no post que comentei foi a postura, que odeio, do sou-a-favor-de-A-por-isso-sou-contra-B. E isso vale para benfiquistas, portistas, louletanos e vimaranenses. Sem distinção.

Por o futebol ser algo que é tão fácil vilipendiar e arrastar para o facilitismo, recuso-me a entrar nesses jogos - ainda que sejam pura brincadeira - por estar a abrir a porta ao pontapé de saída a atitudes como a dos Super Dragões em Penafiel. É que, para mim, o futebol é coisa séria. :-) É só essa a diferença. :-)

maio 01, 2006 9:35 da tarde  
Blogger A escreveu...

:)
Boas...

Fico contente por um lado, triste por outro... contente por ver que te dedicaste pelo menos, a elucidar-me por a + b algumas questões, numa resposta bastante complexa. Triste por saber então que de tanto post que já escrevi naquele blog, a única coisa que acabas por comentar é um raio dum post que tem mais de brincadeira do que de sério. E há por lá coisas bem sérias...

Tal como tu, não sigo regras separatistas ou regionalistas. A vida ensinou-me a seguir vários objectivos e trilhar diversos espaços. Pelo mundo.
Tal como tu, também valorizo a riqueza da nossa língua e seus imensos esquemas fonéticos (muito embora aprecie o não-sotaque de Coimbra) e gosto sobretudo do sotaque alentejano... gostos...

Penso que no Porto se perde demasiado tempo a falar de Lisboa. Lisboa não tem a importância que lhe dão a Norte... mas tem a importância que tem como capital. Não será como as restantes capitais europeias, mas isso será discutir o sexo dos anjos, não é?
A habitual discussão cá em casa passa por aí :) e somos quase todos algarvios...

Ao contrário de ti, eu não levo o futebol a sério. Mesmo nada. Acho piada à forma como as pessoas se deixam provocar por tão pouco e dão tiros umas às outras e matam-se e tudo... e acontece um pouco por todo o lado. Um disparate, mas é o país que temos.
Tenho uma profunda antipatia por fanatismos e extremismos e confesso que gosto de provocar essas pessoas. Os tais morcões :) Uma vez que não me parece que estejas nesse rol, volto a dizer que estava apenas a brincar. E percebe-se claramente.
Aquela foto do Pinto da Costa está deliciosa, confessa lá... :)
Uma vez que também me pareces uma pessoa inteligente, espero que voltes ao Psicologias e dês a tua opinião sobre o que poderá lá estar escrito com mais seriedade.
Eu agradeço...

I mean it.

Beijos do Sul

maio 02, 2006 6:21 da tarde  
Blogger M. escreveu...

:-)

Nunca comentei não pela ausência de conteúdo dos posts (alguns dos quais me fizeram reflectir e muito) mas por um qualquer estranho pudor cibernético no que toca a blogs intimistas. :-) Sinto-me sempre assim como se estivesse a entrar em casa da malta pela janela do quarto, percebes? :-)

Mas a renitência fica de parte e as visitas vão passar a ser acompanhadas de comentários. :-) Garantido.

maio 03, 2006 2:56 da manhã  
Anonymous Anónimo escreveu...

Boas!
Permitam que um caso raro, uma "alfacinha tripeira", opine sobre o assunto.
Nasci em Lisboa. Aos 3 anos fui viver para o Porto onde me mantive até 2003, altura em que me foi possível trabalhar nos EUA durante 11 fantásticos meses. Voltei a Portugal e para Lisboa. Vivo cá há 2 anos e meio.

Encontrei cá, 2 grupos de pessoas:
- "És do Porto! Que horror não gosto nada do Porto!" "A sério, porquê? Que zona da cidade é que não gostas?" "Nunca fui lá, mas não tenho curiosidade nenhuma de conhecer..." - ora bem, com este grupo de pessoas eu não mantenho muito o contacto. São ignorantes e gostam de manter as suas "quintas". E nós respeitamos, porque não vale realmente a pena, cansarmos a nossa beleza, a tentar conversar com pessoas destas. Fazem-me lembrar alguns americanos: "Oh! Portugal! that's great. And did you cross the canal to get here?" "Sure"
- Mas existe, meus caros, um grupo mais pequeno, de iluminados: "És do Porto? Que giro!" ... e com estes a conversa flui muito melhor! Continuam cublisticamente incultos e dizem lá umas coisas dum tal slb...mas a verdade é que se pode falar com estes, conversas sobre outros assuntos que não sejam "nós" "vocês", "lisboa" e "lá no nuorte". É ridículo a forma como tentam imitar o meu lindo sotaque (nas duas cidades, entenda-se).

É a lógica da batata, mas é verdade, pessoas "boas" e "más" há nos dois sítios. E existe um claro preconceito dos lisboetas versus o resto do mundo. Dizem qualquer coisa de Lisboa e Paisagem mas eu não lhes passo muito cartão.

O que me custa é que na comunicação social, tudo é que é do Porto é "típico", "rústico" e "brejeiro". Tenho a certeza que na Avenida dos Aliados e na Alameda do Dragão existiam outras pessoas, para além das entrevistadas e filmadas. Porra!
Eu!!! Eu estava lá e ao meu lado estava muita gente. E garanto que estavam muitas pessoas que não fariam figuras parvas a falar para uma câmara. A maioria até! Mas vamos falar/filmar estes?! Não, esses não são típicos.
Em Lisboa, infelizmente, ainda se vive o estigma do portuense "saloio" ou na minha língua "labrego" e este tipo de reportagens só ajuda a perpetuar uma imagem que não é correcta.
Parece-me que a Comunicação Social ficou parada no tempo, e não espelha a realidade da cidade neste momento.

Não quero com isto dizer que se deva perder a identidade do Porto/Lisboa/Carreseda de anciães, etc. Mas há que mostrar ao mundo que o país evoluiu, não foi só Lisboa.

M, gostei do blog, vai ficar guardado nos favoritos. It's so cool!!!

jouéne

maio 04, 2006 3:42 da tarde  
Blogger M. escreveu...

Bem vinda, mulher!!

Que feliz fico de te ter aqui!!!! Obrigada pela visita. Volta, volta sempre. :-)

É verdade, tu és um híbrido muito raro. :-)

A ignorância está na base da maioria dos parvos dos estereótipos que separam norte-sul, província-capital e por aí fora.

Se nós somos assim, porque carga de trabalhos é que as pessoas se haviam de dar ao trabalho de perceber como é que nós somos??? Ora bem.

Há umas semanas os meus pais foram para Lisboa passar uns tempos. O meu pai viveu anos aí, mas a minha mãe nunca tinha passado mais do que fins de semana prolongados na capital. Quando voltaram, ela estava-me a contar (aos berros, como é típico das professoras ao telefone, ainda mais quando o dito aparelho não está preso à parede...) as peripécias, que tal o La Féria, e tal e tal e tal, e eu pergunto-lhe "Mas olha lá, o que é que achaste de Lisboa?". Ao que a santa da minha mãe me responde "Olha, filha, não sei onde é que há tanta luz em Lisboa como estão sempre a dizer. Eu vi ruas tão estreitas e escuras como as nossas e tanto lixo como há por cá." E pronto, a sôdôna G. ficou-se por aí no que toca à capital. Conclusão, levaram-na à baixa ao final da tarde.

A cobertura das televisões é do mais básico que há. Querem mostrar o tripeiro-linha-de-produção. O que encaixa no molde do bimbo (azeiteiro, Porto dixit).

É daquelas coisas que ninguém se quer dar ao trabalho. As regiões e as cidades já vêm em embrulhos pré-congelados, que é só aquecer um cadito por causa das salmonelas e papar. Gente que pensa assim, sinceramente, não interessa nem àquele que era tão bom tipo, tão bom tipo que morreu na cruz nós todos.

maio 05, 2006 3:37 da manhã  

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